Façamos um pequeno exercício de exegese. Chama-se de exegese examinar um texto ou uma palavra procurando discernir a sua real significação, adicionando informações que não estão no objeto do exame.
A resposta à pergunta 459 do LE é citada muitas vezes para alertar sobre a nossa dependência dos espíritos. Kardec pergunta se os espíritos influem nos nossos pensamentos e ações. Na resposta em francês aparece a expressão "bien souvent", que foi traduzida na edição da Feb, por Guillon Ribeiro, como "de ordinário". Ora, quem diz que algo acontece assim ou assado "de ordinário", diz que a regra, o padrão, seja assim ou assado. Deste modo, a regra seria que os espíritos nos dirigissem e a nossa vontade seria exceção.
Mas a melhor tradução para "bien souvent" é "frequentemente", "muitas vêzes" e não "de ordinário". Posteriormente, outras traduções corrigiram o engano (ou a preferência de Guillon Ribeiro...). Ficou porém a ideia, reiterada em palestras, artigos e livros, da nossa dependência em relação aos espíritos. Muitas vezes, frequentemente, somos influenciados com muita intensidade por espíritos bons ou maus. Muitas vezes, frequentemente, nos sobrepomos a esta influência, para nosso benefício ou prejuízo.
Isto é a vida. A vida é assim...
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