domingo, 26 de dezembro de 2010

A grande rede


Os   braços e as mãos do que chamamos de Providência Divina são os homens e os espíritos desencarnados que já se propõem a agir de acordo com a Lei. Todo homem tem ligados a si muitos espíritos mais elevados que ele, que nos muitos aspectos da sua vida lhe prestam ajuda e junto dele caminham. Como cada homem está ligado a outros espíritos e a outros homens, os contatos e laços afetivos se ampliam e acabam por servir de tecido para uma rede infinita de ajuda e apoio que,em realidade não tem um ponto central ou um comando único, mas que se espalha por onde houver uma alma que caminhe junto de outras, O impulso que impele o ser espiritual na direção do outro é o impulso fundamental da existência.
Toda criatura, em qualquer dos lados da vida. é um emissário da Providência.
Todas as atividades dos homens e dos espíritos constituem projetos que, em última análise, mesmo que pareçam direcionados de forma incorreta, constituem tentativas  do ser espiritual para encontrar o caminho próprio. A correção de rumos é trazida inexoravelmente pela Lei.
A Lei estabeleceu desde o princípio dos tempos os mecanismos que  regem a vida material e os mecanismos que regem a vida do espírito. A  Lei é a expressão da Vontade Divina. É através dela que Deus opera. Não são necessárias intervenções espirituais  para que a vida flua de modo natural, dos dois lados da existência. No entanto, espíritos mais ou menos elevados, de todos os graus de maturidade moral e intelectual sobre ela influem, estabelecendo um jogo de forças em que aqueles que tem maior discernimento  mais proveito recolhem dos conflitos, dos atritos e das dificuldades que enfrentam.
Os grandes e amplos projetos que visam ajudar os homens a caminhar são isto: esforços dos que estão mais acima para fazer se elevarem os que estão mais abaixo. São as tramas da Grande Rede que se estendem sobre uma parcela da humanidade à qual estão ligadas as almas dos que  concebem e implementam estes projetos. Terão sido projetos amplíssimos a doutrina espírita e o evangelho
 Esta visão de mundo  dispensa a idéia de uma elite de superespíritos que detêm as rédeas de tudo o que acontece na Terra, desde os fenômenos naturais até os grandes movimentos sociais e de idéias. Mas esta visão também não afasta a possibilidade de os espíritos influirem muitas vezes de forma decisiva  sobre as ações dos homens e interagirem intensamente com estes. Grupos de espíritos com diferentes orientações  disputam a ascendência sobre os encarnados, de acordo com as afinidades que têm com eles. Espíritos com mais maturidade, com maior conhecimento da Lei, terão maior domínio dos instrumentos que esta lhes faculta para intervir nos eventos pelos quais se interessam.

As coletividades


Grupos e comunidades, raciais, religiosos, políticos, artísticos, profissionais, todas as formas pelas quais os homens se associam, levados por interêsses e necessidades  comuns, podem ter e normalmente têm, a sua contraparte no mundo espiritual.. Os componentes destes grupos espirituais são originários dos grupos terrestres e mantém a sua atenção nos problemas  e empreendimentos dos companheiros que ficaram na Terra. Podem ter estado envolvidos na criação ou implantação dos grupos ou atividades e por eles se sentem responsáveis, procurando estimular os seus continuadores, criando laços afetivos com estes e se propondo ajudá-los nos seus projetos de elevação e nas suas tarefas.
 Em função dos seus conhecimentos e maturidade espiritual podem assumir graus variados de responsabilidade na condução e orientação dos grupos terrestres aos quais se afeiçoam.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

As relações dos espíritos com os homens


A sociedade dos homens e a sociedade espiritual se interpenetram, porque as relações tecidas durante a vida terrestre e durante a vida espiritual permanecem, após a morte do corpo e após o renascimento. Os projetos comuns idealizados, os conflitos e querelas ou a simples afetividade, os interesses e preferências e a disposição de ajudar, especialmente aqueles escolhidos pelo coração mas também aos que o dever moral aponta como credores ,de dívidas às vezes contraidas em tempos remotos, encaminham   os espíritos a estagiar entre os homens.
Guiados então pela Lei de Afinidade e pela Lei de Solidariedade, espíritos já interessados em ajudar os que ficaram na Terra aproximam-se  daqueles  a quem por alguma razão se sentem ligados e com eles desenvolvem projetos de vida, relativos às suas vidas individuais ou a instituições e  tarefas. São os Protetores, de quem fala a Doutrina Espírita. São também conhecidos como Guias ou Mentores. Se a amplitude dos projetos abarca, nos seus objetivos nobres, coletividades maiores ou menores, costuma-se chama-los,  impropriamente, de Missionários.
Em realidade, todos estes espíritos estão obedecendo a um aspecto da Lei, que impele todo ser espiritual na direção de outros seres espirituais, formulando, de maneira consciente ou inconsciente, projetos de vida.
Dentro deste quadro amplo da vida, em todos os seus aspectos, os espíritos interagem com os homens, para o bem ou para o mal, desde que o seu interesse e a sua atenção estejam, de alguma forma, voltados para a vida terrestre. Se não for assim, voltam-se para a existência espiritual e nela permanecem, até que  o seu livre-arbítrio ou a força mesma das coisas, impelindo-os na direção do progresso, lhes recomendem o retorno.

A sociedade espiritual (2)


             A sociedade dos espíritos é constituida pelas almas dos homens, depois da morte.

A perda do corpo não altera essencialmente as características do ser espiritual mas as suas percepções e a sua capacidade de expressão já não mais são amortecidas pela ligação com o corpo físico. Além disto, as paixões suscitadas pelas necessidades materiais perdem a sua razão de ser.
Permanecem, porém, o seu mundo mental e o seu universo afetivo. Permanecem, portanto, as suas lembranças, as suas preferências, as suas afinidades. Formam grupos e comunidades do mesmo modo que os homens formam as suas comunidades e se aproximam uns dos outros pelos mesmos impulsos. Não tendo a constrição do corpo físico que lhes restrinja  ou oculte a expressão do mundo íntimo (pensamentos e sentimentos), mostram-se como são  e as relações de hierarquia e autoridade se podem exercer com muitíssimo maior facilidade.
Desprendem-se gradualmente do condicionamento mental da forma, à proporção que se vão distanciando emocionalmente das lembranças exclusivas do ambiente físico.

domingo, 12 de dezembro de 2010

A vida no mundo espiritual

As paisagens espirituais

A força que atrai os espíritos para uma dada situação espiritual se exerce de alma para alma, de mente para mente e não é a região do espaço, em si,  que provoca o deslocamento do espírito. São as outras mentes espirituais semelhantes às suas que o fazem (vide perg. 278 de LE).
Deste fenômeno de atração é que se origina a infinita variedade de coletividades que se costuma designar como cidades espirituais, colônias espirituais ou, simplesmente, comunidades espirituais, já que os agrupamentos são de tamanho variável em número de almas e extensão ocupada.
De acordo com os relatos obtidos através da mediunidade, tanto por desdobramento como por psicografia, encontra-se desde casebres ou edificações isoladas até gigantescas cidades que abrigam milhões e milhões de espíritos. Aponta-se a existência de vilarejos miseráveis, comunidades tribais, pequenas comunidades equivalentes a cidadezinhas, regiões extensas quase desertas batidas por bandos errantes, afeitos à vida nômade...
Também são descritas comunidades de almas ligadas por laços religiosos ou raciais. Algumas destas comunidades podem permanecer grandes períodos de tempo fixadas nas mesmas condições em que existiam nas passdas eras, cultivando os mesmos hábitos, a mesma linguagem, as mesmas crenças, sem se dar conta da passagem do tempo, sem serem atraidas para a Terra para o intercâmbio ou para reencarnar. Os espíritos nestas condições só deixarão tal situação quando, por manifestarem dúvidas ou por sentirem necessidades espirituais não atendidas naquelas formas de existência, forem por sua vez atraídos para outras esferas.
Existe, pois, no mundo espiritual, uma notável diversidade de paisagens, interesses, objetivos, comportamentos. Apatia ou atividade, indiferença, superficialidade, conhecimentos e ignorância, sublimidade ou baixeza, em  grau maior ou menor...
Comunidades como a descrita por André Luís em “Nosso Lar” são apenas uma das formas de convivência entre espíritos, estruturadas em torno de indivíduos com histórias espirituais mais ou menos semelhantes.
O contacto dos habitantes deste vastíssimo mundo espiritual com a Terra é intermitente e não obrigatório porque depende  das suas vontades e dos seus objetivos.
É impossível enumerar todos os modos de convivência entre espíritos, mas se levarmos em conta a possibilidade que tem os espíritos livres de plasmar as formas da matéria fluídica, podemos concluir que, em realidade, podemos  encontrar nas regiões espírituais tudo o que a mente for capaz de conceber. E também podemos afirmar que todas as formas encontradas neste mundo são o produto da ação de mentes espírituais
O mundo espiritual se constitui de mentes espirituais e matéria plasmável. Todas as formas nele encontradas são transitórias, transformáveis, perecíveis.
É preciso que esta noção fundamental seja bem percebida em todas as suas conseqências, para se entender o que é a vida no mundo espiritual, cuja população é constituida por almas com objetivos definidos para o bem ou para o mal ou por almas sem objetivos , simplesmente “tocando a vida”, durante intervalos de tempo maiores ou menores. Somente o despertar difuso de necessidades espirituais mais profundas, que as levem a procurar situações mais confortáveis, as fará progredir.

sábado, 11 de dezembro de 2010

A vida no mundo espiritual


O destino da alma após a morte do corpo

Após a morte do corpo, os espíritos são atraídos para a companhia de outros seres que lhes são semelhantes, na terra ou nas regiões espirituais.
Os espíritos podem ser conscientemente atraídos or ser simplesmente arrastados por forças de cuja natureza ou mesmo de cuja existência não têm conhecimento, ou seja, de forma automática.
Entre a consciência total e a atração automática para regiões espirituais ou para locais na própria crosta terrestre, existe uma infinidade de situações individuais que decorrem do nível de elevação da criatura.
O nível de elevação da criatura pode ser avaliado sob dois aspectos intimamente relacionados:
a. a maturidade do senso moral, isto é, a sua capacidade de distiguir entre o bem e o mal, dever e paixão, justiça e injustiça.
b. o conhecimento que o espírito já tenha do mecanismo das leis naturais, especialmente das que dizem respeito à natureza, sensações e percepções do ser espiritual e a aplicação destas leis à sua vida afetiva, às emoções e a sua vida mental
Do atendimento ou não a estas condições  decorre uma noção mais ou menos clara dos objetivos da vida e do significado da morte e, consequentemente, a situação do espírito na vida espiritual.
Estas qualidades e características do espírito é que vão se mostrar de forma integrada, global, no que poderíamos chamar de perfil espiritual ou o psiquismo do espírito e constitui um retrato do que ele é, na sua totalidade e não apenas sob um aspecto único

Aquilo que o espírito é, na sua totalidade, é que vai permitir que ele se encaminhe para uma dada posição na vida espiritual

Deste modo, não basta ser bom ou bonzinho para ganhar as regiões mais elevadas. É preciso, também, conhecer as coisas do espírito.
Tenhamos cuidado, entretanto, ao tentarmos avaliar, a partir do que conhecemos de uma pessoa na vida de relação, a sua posição espiritual, porque conhecimentos e qualidades adquiridos anteriormente podem estar velados pela situação social e pelas barreiras corporais.
O espírito só se desvela integralmente quando liberto do corpo físico.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O mundo material depende do mundo espiritual?

No imaginário espírita criou-se a ideia equivocada de que tudo que acontece no mundo material tem origem no mundo espiritual. Por exemplo, uma descoberta científica terá sido primeiro gerada no mundo espiritual para somente depois ser levada à Terra por missionários especialmente encarregados por Deus, para induzir o progresso da humanidade...Obras de arte, movimentos sociais, tudo o que de belo, generoso e genial for produzido entre os homens tem que ser atribuido à assim chamada "espiritualidade superior", espécie de corte celeste que governa até à minúcia o que acontece no orbe.
Esta, porém, não me parece a boa visão doutrinária. A resposta à pergunta  86 do LE é incisiva:
"o mundo espiritual e o mundo material são independentes". E mais:
"um sobre o outro incessantemente reagem"
Isto quer dizer que o mundo material influi sobre o mundo espiritual, tanto quanto este interfere nas coisas dos homens.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Perguntas 85 e 86 do LE

85. Qual dos dois, o mundo espírita ou o mundo corpóreo, é o principal na ordem das coisas?
               "O mundo espírita, que preexiste e sobrevive a tudo"
86. O mundo corporal poderia deixar de existir, ou nunca ter existido, sem que isso alterasse a essência do mundo espírita?
                 "Decerto. Eles são independentes; contudo, é incessante a correlação entre ambos, porquanto um sobre o outro incessantemente reagem"

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A sociedade espiritual

A sociedade dos entes espirituais se estrutura pela ação das mesmas forças que geram a sociedade terrena: afinidades e interesses. Mas, nas condições de existência fora do corpo, o que está por trás  dessas forças é a  condição de elevação de cada ser, ou seja, o que o espírito é na sua totalidade e na sua essencialidade, de acordo com a maturidade do seu senso moral e com o conhecimento que já tenha do mecanismo das leis naturais.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A premissa espírita

Para entender e validar a proposição inicial temos que partir da premissa espírita:
     " Há no homem, associado ao corpo, um ente espiritual que sobrevive à morte deste corpo"
Esta premissa, que parte de fatos observados, testemunhados e relatados em todas as épocas e em todos os lugares, não é passível de comprovação ou negação definitivas. Observa-se os fatos e deles se infere uma explicação. A interpretação espírita para os fatos observados é que o ente espiritual permanece após a morte do corpo.
Estendendo a observação e a interpretação dos fatos para além da simples constatação da sobrevivência do ser espiritual muitas proposições podem ser feitas. Nesta etapa existe a possibilidade de divergências sobre a natureza e as características da vida pós-morte. Diferentes observadores e comentaristas podem produzir descrições que diferem em detalhes e que, eventualmente, se contradizem. Por isso Kardec usou o critério da universalidade do ensino, para apresentar um quadro o mais possível aproximado do que seria a realidade do mundo espiritual.
Dentre as muitas proposições possíveis para descrever a natureza do mundo espiritual, escolho, para balizar o meu raciocínio, as seguintes, por me parecerem as mais bem fundamentadas nos fatos:
  • o ente espiritual permanece com as características morais e intelectuais que pertenciam ao homem
  • o ente espiritual constitui com outros entes espirituais, nas suas novas condições de existência, uma sociedade análoga (mas não igual) à sociedade dos homens
  • o ente espiritual pode se comunicar (entrar em relação) com os homens
  • a sociedade dos homens está em relação com a sociedade dos entes espirituais