A expectativa de Kardec e de espíritos que teriam se manifestado pela mediunidade (a da regeneração da Terra em pouco tempo) não se concretizou, mas os espíritas brasileiros, na sua quase totalidade, não se detêm para discutir o fato e reavaliar as suas expectativas. Permanecem triunfalistas, esperando por uma transformação implementada por intervenções externas, sem se dar conta de que esta espera por uma modificação compulsória da sociedade é ideia antiga que começou entre os primeiros cristãos, que esperavam a volta de Cristo ressuscitado, sobre as nuvens, ao som de trombetas.
Como Jesus não voltava, muitos começaram a descrer. Em IIPedro 3(3) (lê-se: Segunda Epístola do Apóstolo Pedro,capítulo 3, versículo 3) diz o apóstolo:
"Sabendo primeiro isto: que nos últmos dias virão escarnecedores... dizendo: Onde está a promessa da sua vinda, porque...todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação"
No versículo 8: "Mas, amados, não ignoreis uma coisa: que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia"
No versículo 9: "O Senhor não retarda a sua promessa,ainda que alguns a têm por tardia..."
No versículo 12: "Aguardando e apressando-vos para a vinda do dia de Deus, em que os céus em fogo se desfarão e os elementos ardendo se fundirão"
No versículo 13: "Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra em que habita a justiça"
Esperaram e depois cansaram de esperar, "...a nova terra, em que habita a justiça".Também os espíritas estão esperando a nova Terra, que será habitada pelos justos...
"O espiritismo é uma opinião que não exige qualquer profissão de fé, e pode estender-se ao todo ou parte dos princípios da doutrina.Basta simpatizar com a ideia, para ser espírita". Allan Kardec. Revista Espírita, Janeiro 1869 O blog do Mauro Operti
terça-feira, 31 de maio de 2011
segunda-feira, 30 de maio de 2011
O movimento que não vingou
Kardec, em livros e na Revista Espírita, deixou bem clara a sua convicção de que o papel do espiritismo seria de propiciar a renovação moral da humanidade através das provas irrefutáveis da sobrevivência do ser espiritual depois da morte do corpo. Na esteira desta comprovação viria a disseminação da idéia de reencarnação e da comunicação entre os dois planos de vida, pela mediunidade.
Esta convicção se fundava na rapidez da propagação das idéias espíritas em muitos paises (especialmente os europeus) e da adesão de personalidades conhecidas, senão às idéias pelo menos à realidade do fenômeno.
Descobrir-se as razões pelas quais o movimento não vingou depois de início tão promissor é questão de solução difícil. Pode-se alinhas razões sociológicas e razões espirituais. O fato é que não parece que a sociedade, como um todo, tenha sido tocada pela doutrina, embora a idéia de rencarnação esteja disseminada entre uma parcela da população, mesmo que minoritária, em alguns poucos paises, como os Estados Unidos, em que atores famosos se declaram adeptos da ideia, nos meios de comunicação, o que amplifica a repercussão e dá uma impressão exagerada do significado do fato. O mais provável é que a reencarnação seja relacionada mais com exotismos que com ilações de ordem moral.
Esta convicção se fundava na rapidez da propagação das idéias espíritas em muitos paises (especialmente os europeus) e da adesão de personalidades conhecidas, senão às idéias pelo menos à realidade do fenômeno.
Descobrir-se as razões pelas quais o movimento não vingou depois de início tão promissor é questão de solução difícil. Pode-se alinhas razões sociológicas e razões espirituais. O fato é que não parece que a sociedade, como um todo, tenha sido tocada pela doutrina, embora a idéia de rencarnação esteja disseminada entre uma parcela da população, mesmo que minoritária, em alguns poucos paises, como os Estados Unidos, em que atores famosos se declaram adeptos da ideia, nos meios de comunicação, o que amplifica a repercussão e dá uma impressão exagerada do significado do fato. O mais provável é que a reencarnação seja relacionada mais com exotismos que com ilações de ordem moral.
domingo, 29 de maio de 2011
Outra visão da doutrina espírita
O conceito de doutrina espírita expressado na postagem anterior é próprio da visão de mundo religiosa e parte da premissa de que o mundo material está submetido ao comando do mundo espiritual, o que consideramos equivocado e não pertencente à visão de mundo genuinamente espírita, expressada em "O Livro dos Espíritos". Esta visão supõe que a providência divina supervisiona momento a momento o que acontece no mundo e intervem quando julga apropriado, interferindo nos negócios humanos para corrigir rumos ou induzir o progresso da humanidade.
Sob outra perspectiva, parte-se da premissa de que os rumos da sociedade terrena nascem da congregação de forças internas a ela, prescindindo da intervenção e do controle (mas não da colaboração e da participação) de forças espirituais externas. Pode-se então conceber a doutrina espírita como um amplíssimo projeto, envolvendo homens e espíritos imbuidos da necessidade de fazer patente aos encarnados a existência de um princípio espiritual sobrevivente à destruição do corpo físico.
Sob outra perspectiva, parte-se da premissa de que os rumos da sociedade terrena nascem da congregação de forças internas a ela, prescindindo da intervenção e do controle (mas não da colaboração e da participação) de forças espirituais externas. Pode-se então conceber a doutrina espírita como um amplíssimo projeto, envolvendo homens e espíritos imbuidos da necessidade de fazer patente aos encarnados a existência de um princípio espiritual sobrevivente à destruição do corpo físico.
sábado, 28 de maio de 2011
O que é a doutrina espírita?
Pode-se entender a doutrina espírita a partir de duas concepções:
Na primeira, que prevalece no movimento espírita brasileiro, concebe-se a doutrina como o resultado de uma intervenção de Deus, através de forças espirituais, com a intenção de promover o progresso da humanidade, em um momento determinado da história. Os espíritos rebeldes, incapazes de prosseguir a sua evolução no planeta regenerado, seriam apartados daqueles com nível de maturidade espiritual adequado à nova sociedade e exilados para outros mundos, em caráter de expiação.
Esta era a visão de Kardec, exposta em "A Gênese", no capítulo "Os tempos são chegados" e também no prefácio à primeira edição de "O Céu e o Inferno", prefácio posteriormente retirado. A doutrina espírita é, então, entendida como "revelação", na esteira do moisaismo e do cristianismo. Missionários encarnados, com o concurso de espíritos elevados, se encarregariam de implantar e estimular o movimento de regeneração da Terra.
Kardec, tanto quanto muitos espíritos e homens com ele envolvidos e que participaram dos esforços de consolidação e propagação do ideário espírita, estava convencido de que a grande transformação se efetuaria dentro de pouco tempo, porque já se vislumbravam, segundo ele, os sinais da renovação moral das novas gerações e tendo em vista a impressionante velocidade de propagação do espiritismo no mundo inteiro.
Estas expectativas não se confirmaram. O movimento espírita, no final do século XIX e no começo do século XX, já se tinha amortecido na Europa e no resto do mundo, onde aliás não chegou a ter alguma expressão, a não ser em minúsculos nichos das elites pensantes.
Apenas no Brasil o espiritismo se fixou com alguma força na sociedade, embora com apreciáveis diferenças com relação ao propósito original do grupo de espíritos que implantou o movimento e concebeu o "Livro dos Espíritos".
Na primeira, que prevalece no movimento espírita brasileiro, concebe-se a doutrina como o resultado de uma intervenção de Deus, através de forças espirituais, com a intenção de promover o progresso da humanidade, em um momento determinado da história. Os espíritos rebeldes, incapazes de prosseguir a sua evolução no planeta regenerado, seriam apartados daqueles com nível de maturidade espiritual adequado à nova sociedade e exilados para outros mundos, em caráter de expiação.
Esta era a visão de Kardec, exposta em "A Gênese", no capítulo "Os tempos são chegados" e também no prefácio à primeira edição de "O Céu e o Inferno", prefácio posteriormente retirado. A doutrina espírita é, então, entendida como "revelação", na esteira do moisaismo e do cristianismo. Missionários encarnados, com o concurso de espíritos elevados, se encarregariam de implantar e estimular o movimento de regeneração da Terra.
Kardec, tanto quanto muitos espíritos e homens com ele envolvidos e que participaram dos esforços de consolidação e propagação do ideário espírita, estava convencido de que a grande transformação se efetuaria dentro de pouco tempo, porque já se vislumbravam, segundo ele, os sinais da renovação moral das novas gerações e tendo em vista a impressionante velocidade de propagação do espiritismo no mundo inteiro.
Estas expectativas não se confirmaram. O movimento espírita, no final do século XIX e no começo do século XX, já se tinha amortecido na Europa e no resto do mundo, onde aliás não chegou a ter alguma expressão, a não ser em minúsculos nichos das elites pensantes.
Apenas no Brasil o espiritismo se fixou com alguma força na sociedade, embora com apreciáveis diferenças com relação ao propósito original do grupo de espíritos que implantou o movimento e concebeu o "Livro dos Espíritos".
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