As paisagens espirituais
A força que atrai os espíritos para uma dada situação espiritual se exerce de alma para alma, de mente para mente e não é a região do espaço, em si, que provoca o deslocamento do espírito. São as outras mentes espirituais semelhantes às suas que o fazem (vide perg. 278 de LE).
Deste fenômeno de atração é que se origina a infinita variedade de coletividades que se costuma designar como cidades espirituais, colônias espirituais ou, simplesmente, comunidades espirituais, já que os agrupamentos são de tamanho variável em número de almas e extensão ocupada.
De acordo com os relatos obtidos através da mediunidade, tanto por desdobramento como por psicografia, encontra-se desde casebres ou edificações isoladas até gigantescas cidades que abrigam milhões e milhões de espíritos. Aponta-se a existência de vilarejos miseráveis, comunidades tribais, pequenas comunidades equivalentes a cidadezinhas, regiões extensas quase desertas batidas por bandos errantes, afeitos à vida nômade...
Também são descritas comunidades de almas ligadas por laços religiosos ou raciais. Algumas destas comunidades podem permanecer grandes períodos de tempo fixadas nas mesmas condições em que existiam nas passdas eras, cultivando os mesmos hábitos, a mesma linguagem, as mesmas crenças, sem se dar conta da passagem do tempo, sem serem atraidas para a Terra para o intercâmbio ou para reencarnar. Os espíritos nestas condições só deixarão tal situação quando, por manifestarem dúvidas ou por sentirem necessidades espirituais não atendidas naquelas formas de existência, forem por sua vez atraídos para outras esferas.
Existe, pois, no mundo espiritual, uma notável diversidade de paisagens, interesses, objetivos, comportamentos. Apatia ou atividade, indiferença, superficialidade, conhecimentos e ignorância, sublimidade ou baixeza, em grau maior ou menor...
Comunidades como a descrita por André Luís em “Nosso Lar” são apenas uma das formas de convivência entre espíritos, estruturadas em torno de indivíduos com histórias espirituais mais ou menos semelhantes.
O contacto dos habitantes deste vastíssimo mundo espiritual com a Terra é intermitente e não obrigatório porque depende das suas vontades e dos seus objetivos.
É impossível enumerar todos os modos de convivência entre espíritos, mas se levarmos em conta a possibilidade que tem os espíritos livres de plasmar as formas da matéria fluídica, podemos concluir que, em realidade, podemos encontrar nas regiões espírituais tudo o que a mente for capaz de conceber. E também podemos afirmar que todas as formas encontradas neste mundo são o produto da ação de mentes espírituais
O mundo espiritual se constitui de mentes espirituais e matéria plasmável. Todas as formas nele encontradas são transitórias, transformáveis, perecíveis.
É preciso que esta noção fundamental seja bem percebida em todas as suas conseqências, para se entender o que é a vida no mundo espiritual, cuja população é constituida por almas com objetivos definidos para o bem ou para o mal ou por almas sem objetivos , simplesmente “tocando a vida”, durante intervalos de tempo maiores ou menores. Somente o despertar difuso de necessidades espirituais mais profundas, que as levem a procurar situações mais confortáveis, as fará progredir.
Mauro, amigo e irmão muito querido, companheiro mais experiente de lutas evolutivas,
ResponderExcluirVou deixar aqui uma impressão que se estende aos demais textos. Tudo, a meu ver, está em perfeito acordo com o que se lê nas boas fontes da literatura espírita. Pelo menos a mim, você lembra a postura dos grandes estudiosos dos tempos pioneiros, sem entranhado compromisso religioso. Nenhuma "heresia" ou coisa que o valha, lembrando que, de um modo geral, o progresso tem se assentado em larga escala justamente nas heresias d qualquer espécie. Perdoe-me se estou dando ares de grande entendido, o que equivaleria aposar de "metido"... Gostei muito do seu blog.
Abraço afetuoso do
Affonso Soares